O RAP nacional celebra um marco histórico em 2025 com os 30 anos de trajetória do grupo Face da Morte, um dos nomes mais respeitados e longevos da cultura Hip Hop brasileira. Fundado em 1995, na cidade de Hortolândia, interior de São Paulo, por Mano ED e Aliado G, o grupo construiu uma carreira sólida, marcada por letras diretas, compromisso com a realidade das periferias e uma postura artística que nunca se rendeu às modas passageiras do mercado. Para celebrar essas três décadas de história, o Face da Morte acaba de lançar um projeto especial que revisita seus maiores clássicos a pARTir de uma proposta simbólica: a fusão entre o RAP e o samba.
Mais do que um exercício estético, o novo trabalho se apresenta como um gesto político e cultural. Ao unir o RAP, expressão urbana contemporânea nascida da denúncia e da resistência, com o samba, manifestação ancestral da cultura popular e negra brasileira, o grupo estabelece um diálogo entre gerações, territórios e linguagens que compARTilham a mesma raiz: a vivência do povo preto e periférico. As músicas ganham novos arranjos, novos timbres e uma nova ambiência sonora, sem perder a força das letras que consagraram o Face da Morte como referência do RAP raiz. O projeto vai além da própria discografia do grupo, trazendo também releituras de outros clássicos fundamentais do RAP nacional e samba, reafirmando respeito à história do movimento e ampliando o alcance simbólico da celebração.
Ao longo de sua trajetória, o grupo foi responsável por discos que marcaram época, como Meu Respeito Eu Não Enrolo Numa Seda e Quadrilha de Morte, além de pARTicipações emblemáticas em coletâneas que ajudaram a consolidar o Hip Hop nacional nos anos 1990 e 2000. Suas músicas sempre trataram de temas como racismo, violência do Estado, desigualdade social, identidade e sobrevivência, tornando-se trilha sonora de uma geração que encontrou no RAP uma forma de existir, resistir e narrar a própria história.
O projeto comemorativo dos 30 anos não se limita à nostalgia. Pelo contrário, ele reafirma a atualidade do Face da Morte e a potência do RAP como linguagem contemporânea, capaz de se reinventar sem abrir mão de seus princípios. A presença de elementos do samba reforça a ideia de continuidade cultural, evidenciando que o Hip Hop não surge do nada, mas é herdeiro direto de outras expressões negras que sempre ocuparam as ruas, os terreiros, os quintais e os morros do Brasil.
A recepção do público tem sido expressiva, com grande repercussão nas redes sociais e plataformas digitais, reunindo fãs históricos e novos ouvintes. O sucesso do lançamento demonstra que o legado do Face da Morte ultrapassa o tempo e segue dialogando com as urgências do presente. Em um cenário onde a cultura periférica ainda luta por reconhecimento e espaço, celebrar os 30 anos de um grupo como o Face da Morte é também reafirmar a importância da arte como ferramentas de transformação social.