MV Bill anuncia novo álbum, 30 anos de corre

Com 20 faixas e músicas inéditas, MV30 – 30 Anos em Movimento revisita a trajetória de um dos nomes mais importantes do RAP nacional e reacende o debate sobre memória, favela e resistência dentro do RAP brasileiro.

Três décadas depois de transformar o RAP nacional em instrumento de denúncia social, conscientização política e sobrevivência periférica, MV Bill anunciou oficialmente o álbum MV30 – 30 Anos em Movimento. O projeto chega às plataformas digitais no próximo dia 22 de maio e funciona não apenas como uma coletânea, mas como um documento histórico de uma das vozes mais importantes da cultura Hip Hop brasileira.

O disco reúne 20 faixas e revisita diferentes momentos da trajetória do artista, atravessando clássicos que ajudaram a moldar o RAP nacional desde os anos 1990 até produções mais recentes. Entre as músicas presentes na tracklist estão Só Deus Pode Me Julgar, Soldado do Morro, Traficando Informação, Estilo Vagabundo, Marginal Menestrel e O Bagulho é Doido.

O projeto também traz duas faixas inéditas: a instrumental Só se for D e a música Milicítico (2026), que ganhará videoclipe lançado no mesmo dia da estreia do álbum, às 13h, no canal oficial do artista.

Em publicação nas redes sociais, MV Bill definiu o trabalho como uma conexão entre passado, presente e futuro.

“Um álbum reúne mais de 3 décadas de clássicos que atravessam gerações + as inéditas ‘Só se for D (instrumental)’ e ‘Milicítico (2026)’, que conectam, passado, presente e futuro”, escreveu o rapper.

O lançamento também marca uma nova fase estratégica na carreira do artista. MV Bill anunciou parceria com a gravadora internacional Snafu Records, com atuação em Estocolmo e Los Angeles, além da distribuidora Symphonic Brasil. Segundo ele, a proposta é ampliar ainda mais o alcance de sua mensagem através de uma equipe internacional conectada ao seu time local.

Mais do que revisitar sucessos, MV30 – 30 Anos em Movimento chega em um momento simbólico para a cultura Hip Hop brasileira. Enquanto parte da indústria musical transforma o RAP em produto acelerado para consumo rápido e viralização, o novo projeto de MV Bill resgata a memória como elemento central da cultura.

Porque antes dos milhões de streams, playlists editoriais e algoritmos, existiam artistas que arriscavam a própria liberdade para denunciar o que o país fingia não enxergar.

Nascido na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, MV Bill construiu uma carreira que ultrapassa a música. Ao longo dos anos, tornou-se referência também no audiovisual, na literatura, no jornalismo investigativo e em ações sociais voltadas às periferias brasileiras. Sua trajetória ajudou a consolidar o RAP nacional como ferramenta política e pedagógica dentro das favelas.

Álbuns como Traficando Informação e Declaração de Guerra atravessaram gerações justamente por não se limitarem ao entretenimento. Foram obras que documentaram a violência urbana, o racismo estrutural, o abandono estatal e os impactos da desigualdade social no cotidiano das periferias.

E talvez seja exatamente isso que mantém MV Bill relevante depois de mais de três décadas: sua música nunca serviu apenas como trilha sonora. Sempre funcionou como testemunho, denúncia e memória coletiva.

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