Tulinho promete na estreia com EP “Pacificamente Violento”

Entre a sensibilidade e a dureza das ruas, o primeiro EP do artista revela identidade, vivência e potência estética no RAP nacional.

O anúncio do primeiro EP de Tulinho chega carregado de emoção, estética e intenção. “PACIFICAMENTE VIOLENTO”, com lançamento marcado para o dia 06 de maio em todas as plataformas digitais, não é apenas uma estreia, é um manifesto. Ao revelar a capa e a contracapa do projeto, o artista antecipa não só a identidade visual, mas também o tom visceral e contraditório que sustenta a obra: a tensão entre a paz e o caos, entre a sensibilidade e a dureza das ruas.

A frase que acompanha o anúncio, “com o coração cheio de alegria e os olhos cheios de lágrimas”, não soa como clichê, mas como síntese honesta de um processo que parece ter sido atravessado por vivências profundas. Há, nesse ponto de partida, um artista que não romantiza sua trajetória, mas também não abre mão de transformá-la em linguagem. O título do EP, por si só, já aponta para essa dualidade: ser “pacificamente violento” é existir em constante estado de conflito interno e externo, algo muito presente na vivência periférica e na construção de identidade dentro do rap.

A estrutura do EP revela um cuidado tanto na curadoria sonora quanto nas conexões estabelecidas. A faixa de abertura, “Nada vai me colocar pra baixo”, produzida por Smoker Chriss e Batista, sugere um início afirmativo, quase como uma declaração de resistência. Em seguida, “Love Song”, com participações de Pecaos e Real Cashline, indica uma quebra de expectativa, trazendo a possibilidade de explorar afetos dentro de uma estética que muitas vezes é associada apenas à dureza.

Já “Sussurros da Rua”, com participação de Kell Smith e produção de DJ Caique, tende a ser um dos pontos de maior densidade lírica do projeto. A escolha de Kell Smith, conhecida por sua sensibilidade vocal e abordagem introspectiva, somada à experiência de DJ Caique no RAP nacional, sugere uma faixa que transita entre denúncia e poesia.

“Mudanças Part 2”, produzida por Danny Brasco, aponta para continuidade, talvez uma narrativa que já vem sendo construída anteriormente e que agora ganha novos contornos. Na sequência, “Fatal”, com participação de A.X.L e novamente com produção de Smoker Chriss e Batista, reforça a identidade sonora do EP, criando uma unidade entre as faixas. Encerrando o projeto, “Um Dia de Paz” parece funcionar como respiro, como horizonte possível dentro de uma trajetória marcada por conflitos.

A ficha técnica também evidencia a construção coletiva por trás do trabalho. A presença da gravadora DIP Muzic, a mixagem e masterização assinadas por Rizzi Get Busy, e a produção executiva de Rogério Reis indicam uma base sólida de suporte. Ao mesmo tempo, nomes como Nazareth Carvalho na produção artística e Bigg99 como produtor pessoal mostram que há um cuidado não apenas com o som, mas com o direcionamento de carreira e identidade do artista.

No campo visual, a capa assinada por Mattenie, junto ao design de letras por El Caslu, figurino da Tupode e registros fotográficos de Tamires Damas, reforçam que “PACIFICAMENTE VIOLENTO” é pensado como obra completa, onde imagem e som dialogam diretamente. Os visualizers de Igo Macedo e o videoclipe dirigido por Jean Furquim ampliam essa experiência, projetando o EP para além do áudio.

Mais do que um conjunto de faixas, o primeiro EP de Tulinho se apresenta como um cartão de visitas potente, que equilibra vulnerabilidade e firmeza. Em um cenário onde muitos ainda buscam se afirmar, ele escolhe se expor, e talvez seja exatamente aí que reside sua força. “PACIFICAMENTE VIOLENTO” nasce com cara de quem não quer apenas ocupar espaço, mas provocar, atravessar e permanecer.

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